"Mais luz do que o sol do meu céu só o som do seu sim" (Tchello d'Barros)

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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Meus ocasos




Meus olhos gravitam como sóis
iluminando universos
pautados por planetas em sustenido
e estrelas em bemóis

Ainda que inexistissem luzes,
fosse noite absoluta
e o tempo sofresse lapsos
momentâneos,

auroras noturnas me chegariam
nos ritmos deslizantes
da música do vento,
trazendo poemas diuturnos
ressuscitados nos meus ocasos.


Conceição Bentes
02/06/09

Rascunho de sonhos



Meus sonhos são rascunhos
de poemas órfãos de mim,
imponderáveis lembranças,
adormecidas do que fui

Guardo as imagens
de outros tempos
de vida falha e finda,
no vulto da solidão

Calo-me para o mundo,
vendo a queda desses sonhos
em minha eterna vigília.


Conceição Bentes
31/05/09

Indagações



Procuro a vida sem preconceitos
gentes iguais, diferenças nenhuma

Quero no lago da vida
matar a sede do meu grito caduco
que ecoa pelo universo
em busca dos sonhos antigos

Indago pelos segredos,
falo do meu amor
brindo aos sentimentos
do lado escuro de mim


Conceição Bentes
29/05/09

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Desamparo



Como se não bastasse
a terra sem memória,
as chuvas aqui vêem beber
nossa incredulidade

Ninguém olha o que se dessedenta
entre oceanos tracionados
nos azuis dos trópicos
deixando o tempo no desamparo

Os céus desabam no alvor
do amanhecer atordoado,
arrastando-se pelo cenário
calcinado e rude
onde o mar se ajoelha e rebate
mas nunca se apura.


Conceição Bentes
27/05/09

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Egocêntrica



Sinto a vida correr
como um artista
que entra no palco
ao encontro das multidões

Combato o que sonho,
perco-me e me acho
não tendo o quê
nem o porquê

Sou o fim do início,
o ateu com fé
não tenho rimas , nem versos
sacio a vontade de viver
e chego como criança aos teus olhos
que me indagam sem nada ver

Conceição Bentes

Passagem



Vejo a luz que nos deixa
o sopro imperceptível,
do silêncio profundo
que ouvimos de dentro,
o extermínio onde a memória cessa
o circuito cansado pelo sentir

Segue a solidão,
que desce dos sudários,
imperiosa e fria
como um mar que toca os vitrais
com sua aragem macilenta
junto ao silêncio que a terra refugia


Conceição Bentes
26/05/09

domingo, 24 de maio de 2009

Trama

Trama


Ser refém do calendário
achando que o tempo conta
o passar diário,
que o próprio tempo desmonta,
é achar que este aponta
um momento unitário
onde o futuro é o horário
que ao passado se remonta.

O uno contém o vário,
o meio contém a ponta.


Conceição Bentes
24/05/09


Buscas


Ao escrever, é a mim que busco
fazendo da poesia o itinerário.

Em vão se breve ou longevo,
se perdulário ou conciso,
nem mesmo ao poema é páreo
a quarta folha do trevo,
pois se me atrevo ver a sorte
e o cenário do futuro,
somente a ela eu devo,
saber quem sou ao contrario


Conceição Bentes
24/05/09
Explicações

Palavras perdem-se pelo chão
como os que buscam no alforje
alimento para alma

Tocas-me tão de leve como nuvens
que nem percebo essa ausência
de tão alto que me espreitas

E navego nesse mar que me soterra
por incontáveis noites
por numerosos dias,
nas léguas dos ventos,
das coisas mortas ou vencidas,
nascidas no limbo que pouco explicam.

Conceição Bentes
22/05/09

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Reencontros

Sou depois de tempos
o reflexo do teu corpo
distanciado de mim geometricamente

Revejo-me radiada
no lago dos olhos teus
que me descobrem
nas tardes sonolentas
trocadas por noites quietas e ligeiras

Ando por entre mil auroras
para encontrar-te e reassistir
a gênesis da vida
permanecendo em ti
de olhos cerrados
soletrando o silêncio
das horas que passam


Conceição Bentes
19/05/09

Construção

Em cada palavra escrita, coloco vida
não costumo conhecer o instante futuro
ou o que já passou

O momento, é onde vou
a reboque dos meus pensamentos,
sou a soma de muitos ninguéns,
a idéia finita, pouca e parca

Isso tudo e o contrário se convém
ser alguém que em mim
não deixa marca

Conceição Bentes
17/05/09

sábado, 16 de maio de 2009

Viagem no tempo

Acordo a vida
nas palavras que escrevo
retirando de mim luas frias,
praias desérticas, jardins sem luz

Trago o cal das manhãs
nas linhas do horizonte,
o sal do sol, a proa dos barcos,
as longas cordilheiras de ferro
na costa do Atlântico

Deito-me nos degraus do tempo
sob a chuva que se abre em leque,
escutando a vida num violino solitário
e minha alma repousa submissa
propagando-se nas últimas lâminas
do crepúsculo celestial.

Conceição Bentes
15/05/09

Poema dedicado ao poeta Marçal Filho
Tua magia

Deixe-me envolver na magia do teu amor,
receber a energia que ensina
o caminho deste olhar

Emanas a verdade
e tua força vital
possibilita um diálogo total
nos gestos breves que muitos falam
mas nem todos traduzo

O silêncio do teu rosto
calam palavras
tal a calma do nascer do sol
escrevendo a vida
entre a tinta e o sonho

Conceição Bentes
13/05/09

Meus tropeços

Não quero nada das palavras
apenas pausas me interessam
e minhas saudades entregues
aos soluços repentinos

Conheço as personagens
da minha história
que tropeçam pela vida
trocando de identidades

Dos meus erros supostamente cometidos
só o que julgo é válido
e saio assim vitoriosa
com o espírito fortalecido

Conceição Bentes
13/05/09

Sou tua semente

Sou semente da tua sabedoria
núcleo vital da célula geradora,
energia gerada do teu amor

És essência da verdade
poder que transforma minha solidão
na mais bela primavera
reflorescendo ao sol que enxuga minh’alma
e afaga minhas dores

Renasço no teu amor,
no caráter firme, bondoso
cultuado pelo bem e pela verdade,
lema que adotaste ao longo de tua vida

Obrigada mãe!
(Dedico a minha mãe, Neta Bentes)
Conceição Bentes
08/05/09

Um ser caminhante

Sou apenas um ser caminhante
aprendiz do destino
e nesse navegar
fiz de ti porto de chegada,
do teu colo, meu descansar

Revelei-te segredos
em forma de oração,
fui arco-íris no fim das tempestades,
um resto de esperança morta
ou o início de uma ilusão perdida,
que busca a paz
que busca a vida!

Conceição Bentes
06/05/09

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Minha alquimia

No princípio meu sonho foi interpretado,
e transformado em lenda
no silêncio blindado do universo

Escrito e determinado estava que,
toda magia dessa grande obra
seria vínculo restaurado e eterno
modificado na mais bela arte
das lembranças adormecidas e imponderáveis
do que fomos e do que somos.

Conceição Bentes
30/04/09

Anunciação

Chegas desfolhando-me
em poemas inteiros
tal asas de borboletas ao sol,
a tua musicalidade nas ondas
do meu sonhar


Depões em mim quando te evaporas
um amor em ares transparentes
soletrado no silêncio,
equilibrado na luz das retinas,
evoluído em canções emudecidas

Modelas-me em vitrais,
permeando imagens multicores
em fugas temporárias ou definitivas,
esquecido de que sou criança
no tempo da tua imaginação

Conceição Bentes
30/04/09

Beleza de ser

Saio de ti vitoriosa
por ter sido uma gestação
lúcida e pródiga,
e sucumbido o mais alto dos reinos

Mantiveste em mim
a beleza da esperança
conduzindo-me pelos sentidos
à morada da sabedoria

Festejo dúvidas esclarecidas
e em meio aos desencantos
orgulho-me de perceber
que todo medo é um equívoco.

Conceição Bentes
28/04/09
Celebração

Falo a ti das belas rosas
eriçadas pelo vento
da lua verde que cai sobre a relva
com seus mistérios

Falo do deserto do mundo
quando sobre mim as sombras pesam,
a luz e o som me beijam
tocando meus olhos escurecidos

E a monotonia dos meus passos
anunciam a morte de um aurora rarefeita
salpicada de orvalho amargo,
caído sobre meu corpo
tal lâminas de cristais.

Conceição Bentes
27/04/09

Ritmo das emoções

Tenho ritmo das nuvens
atravessadas pelo ciclone das madrugadas
que cruzam a eternidade

Do céu, mãos são tingidas
aprofundando-me sem demora
num passado sem chão
que me arrasta tempo à fora

Em cada espera,
perco a posse das palavras,
e tua imagem de areia alva
deságua sob meus olhos,
desfazendo-me em espumas
que o mar entrega á praia
e o vento me espalha

Conceição Bentes
26/04/09

sábado, 25 de abril de 2009

Um pouco de mim
Procure-me nos rostos que passam,
na poeira do tempo
e veja quem sou
Encontro-me na noite,
nas pedras que brotam dos interstícios
cujos braços que me enlaçam,
são os cipós dos ventos
Tornei-me palavras que se perderam
sob a saliva da noite,
embaraçando folhas de livros
repletos de versos não lidos,
calados, sem delito.
Conceição Bentes
25/04/09

terça-feira, 21 de abril de 2009

Clamor

Onde estás?
não vês a multidão
que carrego comigo
sem alcançar tua imagem,
teu sorriso?

Tua ausência me faz
debater em terras altas,
mares profundos,
céus indistintos
ficando atônita
rindo de tudo e de nada,
ou chorando por palavras
afagos, gestos miúdos

Não sou a resposta
para questões que me fazes
e fecho-me em cortinas transparentes
nua e verde para a vida.

Conceição Bentes
20/04/09

Superação

Te espero além de toda longa lida
além de toda espera

Estamos longe
pela determinação do tempo,
raízes te anunciam,
solidões te festejam

Batidas dos vidros fechados
nas portas da memória,
é a dor trazida pelo frio
num recomeço meu

Vivo minha hora
pelo vazio que me toma
ou do fim que fui
secretamente um dia

Conceição Bentes
20/04/09

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Crepúsculo


Mergulho no teu olhar sem limites
absorvendo o mesclado da malicia
que me envolve e apaixona

Mesmo não sendo mais que um sonho,
tua voz me empresta forças ante a vida
que tenta me desenhar
timbres de sorrisos falsos

E teu amor me chega como o sol
no maior de todos os ocasos
raiando minguante nas luas vermelhas
fazendo-me acrobata do teu universo


Conceição Bentes
17/04/09