
Vou encontrar-te
Nos lugares onde caminhaste
No silêncio dos teus passos
Na saudade que não escrevo.
Estrela errante sou
Buscando no céu tua luz
Mas nada me respondes
E granjeio horizontes
Num viver,
Num passar sem onde.
Conceição Bentes
















Tempo de Sentir!
O tempo apaga palavras
que foram ditas e ouvidas
e o vento dissipa as letras escritas de areia
dissolvendo as emoções
Os pergaminhos dos sentidos
Despertam no tempo
Abraçando-se como fogo
Na lenha seca
Permitindo que barreiras
Cedam e invadam mundos
Onde a alma se revela.
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 30/11/2008 Código do Texto: T1310819





Para Conceição Bentes
Cantar é coisa vã, se o dia escorre
na frágil exigüidade da manhã;
o tempo é refração do sentimento
ou substrato da percepção.
E, ser, é a tentativa que se frustra
de se guardar em átimos de instantes
as coisas que ao acaso vem e vão.
Não há como reter nos frágeis dedos
sorrisos, medos, dores e ilusões,
cantar é coisa vã se a morte ronda,
só restará a tentativa inútil
da poesia pouca inatingida
que não se logra com a percepção.
Cantar é coisa vã e é o que nos resta.
Sylvio Adalberto