domingo, 21 de junho de 2009
sábado, 20 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Codificas o amor
Tua palavra é código
que sai e queima meus ouvidos,
teus gestos me convergem
a templos antigos
onde cultuo deuses invisíveis
Teu amor tem sua hora
como a claridade do dia
na face lírica das águas
na madrugada da fantasia
Codificas o tempo maior,
translúcido na penumbra da noite,
em cada palavra de riso
em cada signo de verbo
em cada lágrima de delírio
Conceição Bentes
16/06/09
Ensaio
Travessia

Vidros que separam,
são os mesmos que trazem à contraluz,
o perfil delineado e marcado
do difuso tom da tua imagem
Na inefável neblina,
um vôo vapor esculpe
tua voz na escala modal
entoando tua chegada
Teu olhar impreciso
direciona-me às reentrâncias
do teu silêncio
deixando um sopro leve,
imperceptível no afã da vida
Conceição Bentes
13/06/09
Jornada da alma
Começo minha busca pelo coração
domesticando a natureza brusca,
lapidando o instinto
racionalizando o erro cometido
Averiguo passos em falso
abstendo-me do deslaço,
devolvendo amor para o descaso.
É a evolução do ser que se dá,
na renovação que se confirma,
nessa busca infinda do caminho da paz.
Conceição Bentes
12/06/09
Inúteis versos
Não são teus os versos meus.
Eles perderam-se no tempo
depreciados nas páginas corroídas,
esquecidos, sem rimas, nem métricas
São afastados da dialética,
não fazem parte das histórias,
sussurram sílabas lentas,
melancólicas e adormecidas
Apenas são lidos
como quem lê o orvalho
ou coisas que nunca foram escritas
Conceição Bentes
11/06/09
O meu comum

O meu comum
não é comum,
é errado quando regulado pelo instinto
No espírito,
tenho desejo chave
Da magia,
a fase de um perfeito encanto
Escondo segredos em nomes incertos
adentrando mistérios
multiplicando imagens
num tranqüilo acontecer
Neste lamento,
contento-me em conter
meu descontentamento
e a minha luta me eterniza
lavrando a alma livre e concisa
Conceição Bentes
10/06/09
Cabocla

És guardiã da mata,
lançando-te contra a ganância
da exploração arbitrária
Tua lança não mata o agente
mas, extermina a ação
pelo bem da salvação
Misturas ervas e fé
curando o mal da destruição
e conhecendo as leis,
dominas a essência da vida
Lutas sem derrame de sangue,
limpas o frio que consome,
retiras a sombra que mata
o verde da mata e de um coração
Conceição Bentes
09/06/09
Alegrias antigas

Tenho saudade do tempo
em que as verdades eram ditas
que podia ser franca
sem prantos provocar
Sinto falta dos momentos sinceros
quando servi de suporte
aos soluços abruptos
Queria ter a ilusão
transfigurada em realidade,
a perfeição incompleta
transformando traços soltos
em figuras perfeitas.
Conceição Bentes
07/06/09
Meus ocasos

Meus olhos gravitam como sóis
iluminando universos
pautados por planetas em sustenido
e estrelas em bemóis
Ainda que inexistissem luzes,
fosse noite absoluta
e o tempo sofresse lapsos
momentâneos,
auroras noturnas me chegariam
nos ritmos deslizantes
da música do vento,
trazendo poemas diuturnos
ressuscitados nos meus ocasos.
Conceição Bentes
02/06/09
Rascunho de sonhos
Indagações
Procuro a vida sem preconceitos
gentes iguais, diferenças nenhuma
Quero no lago da vida
matar a sede do meu grito caduco
que ecoa pelo universo
em busca dos sonhos antigos
Indago pelos segredos,
falo do meu amor
brindo aos sentimentos
do lado escuro de mim
Conceição Bentes
29/05/09
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Desamparo
Como se não bastasse
a terra sem memória,
as chuvas aqui vêem beber
nossa incredulidade
Ninguém olha o que se dessedenta
entre oceanos tracionados
nos azuis dos trópicos
deixando o tempo no desamparo
Os céus desabam no alvor
do amanhecer atordoado,
arrastando-se pelo cenário
calcinado e rude
onde o mar se ajoelha e rebate
mas nunca se apura.
Conceição Bentes
27/05/09
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Egocêntrica

Sinto a vida correr
como um artista
que entra no palco
ao encontro das multidões
Combato o que sonho,
perco-me e me acho
não tendo o quê
nem o porquê
Sou o fim do início,
o ateu com fé
não tenho rimas , nem versos
sacio a vontade de viver
e chego como criança aos teus olhos
que me indagam sem nada ver
Conceição Bentes
Passagem
Vejo a luz que nos deixa
o sopro imperceptível,
do silêncio profundo
que ouvimos de dentro,
o extermínio onde a memória cessa
o circuito cansado pelo sentir
Segue a solidão,
que desce dos sudários,
imperiosa e fria
como um mar que toca os vitrais
com sua aragem macilenta
junto ao silêncio que a terra refugia
Conceição Bentes
26/05/09
domingo, 24 de maio de 2009
Trama
Ser refém do calendário
achando que o tempo conta
o passar diário,
que o próprio tempo desmonta,
é achar que este aponta
um momento unitário
onde o futuro é o horário
que ao passado se remonta.
O uno contém o vário,
o meio contém a ponta.
Conceição Bentes
24/05/09
Explicações
Palavras perdem-se pelo chão
como os que buscam no alforje
alimento para alma
Tocas-me tão de leve como nuvens
que nem percebo essa ausência
de tão alto que me espreitas
E navego nesse mar que me soterra
por incontáveis noites
por numerosos dias,
nas léguas dos ventos,
das coisas mortas ou vencidas,
nascidas no limbo que pouco explicam.
Conceição Bentes
22/05/09
Palavras perdem-se pelo chão
como os que buscam no alforje
alimento para alma
Tocas-me tão de leve como nuvens
que nem percebo essa ausência
de tão alto que me espreitas
E navego nesse mar que me soterra
por incontáveis noites
por numerosos dias,
nas léguas dos ventos,
das coisas mortas ou vencidas,
nascidas no limbo que pouco explicam.
Conceição Bentes
22/05/09
quinta-feira, 21 de maio de 2009
ReencontrosSou depois de tempos
o reflexo do teu corpo
distanciado de mim geometricamente
Revejo-me radiada
no lago dos olhos teus
que me descobrem
nas tardes sonolentas
trocadas por noites quietas e ligeiras
Ando por entre mil auroras
para encontrar-te e reassistir
a gênesis da vida
permanecendo em ti
de olhos cerrados
soletrando o silêncio
das horas que passam
Conceição Bentes
19/05/09
ConstruçãoEm cada palavra escrita, coloco vida
não costumo conhecer o instante futuro
ou o que já passou
O momento, é onde vou
a reboque dos meus pensamentos,
sou a soma de muitos ninguéns,
a idéia finita, pouca e parca
Isso tudo e o contrário se convém
ser alguém que em mim
não deixa marca
Conceição Bentes
17/05/09
sábado, 16 de maio de 2009
Viagem no tempoAcordo a vida
nas palavras que escrevo
retirando de mim luas frias,
praias desérticas, jardins sem luz
Trago o cal das manhãs
nas linhas do horizonte,
o sal do sol, a proa dos barcos,
as longas cordilheiras de ferro
na costa do Atlântico
Deito-me nos degraus do tempo
sob a chuva que se abre em leque,
escutando a vida num violino solitário
e minha alma repousa submissa
propagando-se nas últimas lâminas
do crepúsculo celestial.
Conceição Bentes
15/05/09
Poema dedicado ao poeta Marçal Filho
Poema dedicado ao poeta Marçal Filho
Tua magiaDeixe-me envolver na magia do teu amor,
receber a energia que ensina
o caminho deste olhar
Emanas a verdade
e tua força vital
possibilita um diálogo total
nos gestos breves que muitos falam
mas nem todos traduzo
O silêncio do teu rosto
calam palavras
tal a calma do nascer do sol
escrevendo a vida
entre a tinta e o sonho
Conceição Bentes
13/05/09
Meus tropeçosNão quero nada das palavras
apenas pausas me interessam
e minhas saudades entregues
aos soluços repentinos
Conheço as personagens
da minha história
que tropeçam pela vida
trocando de identidades
Dos meus erros supostamente cometidos
só o que julgo é válido
e saio assim vitoriosa
com o espírito fortalecido
Conceição Bentes
13/05/09
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