"Mais luz do que o sol do meu céu só o som do seu sim" (Tchello d'Barros)

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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Concisa


Olhos que passam sem ver
vidas que morrem pra renascer
vivem sortilégios da verdade
que valseiam nos ares
iluminando "luares"

Pelas esquinas do mundo
em cada piso, em cada chão
levam rostos perdidos
marcados na contradição

Do romantismo saudoso
passo a pensar e viver,
um estado libertário
dispersivo e pesaroso,
esse é meu novo proceder

Conceição Bentes
24/06/09



terça-feira, 23 de junho de 2009

Sonhos aparentes



Sou a canção que foge lenta
num cheiro mais de lassidão
que a brisa das tormentas

Olhando o mundo,
sou apenas um espectro
que refugia todo o meu eu
do qual fujo só

Entrego-me aos braços do vento
divina imensidão das cores,
as certezas que abalam,
antes do principio
ou depois do fim



Conceição Bentes
23/06/09

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Juramento



Prometo que serei
o tempo a estilhaçar-se
nas tuas mãos,
tendo teu silêncio
a minha volta

Hei de ser
os olhos fechados
ou a curva indecisa na noite

Serei a própria noite a te embalar
até que a manhã te leve
e adormeças longe de mim



Conceição Bentes
22/06/09

domingo, 21 de junho de 2009

Mãos vazias



Com mãos vazias
atravesso a vida
sobre a corda das palavras

Liberto dores
atrás de fontes de luzes
despertando para algo
além da alma

Agito a calma do tempo
que brinca com o tormento
transformando-o em alegria
no ritmo da emoção


Conceição Bentes
21/06/09

sábado, 20 de junho de 2009

Sou única



Sou única comigo,
compondo poucas falas,
sinônimo de liberdade

Deixo a voz fugir
para ser usada num poema
soprado aos ventos disseminados

Minhas certezas abalam-se
no descanso cavado
pelo meu próprio exílio
e mesmo ciente aos olhos,
o sigo!


Conceição Bentes
20/06/09

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Codificas o amor



Tua palavra é código
que sai e queima meus ouvidos,
teus gestos me convergem
a templos antigos
onde cultuo deuses invisíveis

Teu amor tem sua hora
como a claridade do dia
na face lírica das águas
na madrugada da fantasia

Codificas o tempo maior,
translúcido na penumbra da noite,
em cada palavra de riso
em cada signo de verbo
em cada lágrima de delírio


Conceição Bentes
16/06/09

Ensaio



Aqui nada me aflige,
sou indiferente a culpa
que move o tédio

Inclino-me sobre impasses
como quem retira a voz do vento
e qualquer fragmento do tempo,
furta-me o equilíbrio

Na sombra muda onde o futuro hesita,
ancoro a ternura latente nos teus lábios
que aflora feito uma oração


Conceição Bentes
14/06/09

Travessia



Vidros que separam,
são os mesmos que trazem à contraluz,
o perfil delineado e marcado
do difuso tom da tua imagem

Na inefável neblina,
um vôo vapor esculpe
tua voz na escala modal
entoando tua chegada

Teu olhar impreciso
direciona-me às reentrâncias
do teu silêncio
deixando um sopro leve,
imperceptível no afã da vida


Conceição Bentes
13/06/09

Jornada da alma

Começo minha busca pelo coração
domesticando a natureza brusca,
lapidando o instinto
racionalizando o erro cometido
Averiguo passos em falso
abstendo-me do deslaço,
devolvendo amor para o descaso.
É a evolução do ser que se dá,
na renovação que se confirma,
nessa busca infinda do caminho da paz.

Conceição Bentes
12/06/09

Inúteis versos



Não são teus os versos meus.
Eles perderam-se no tempo
depreciados nas páginas corroídas,
esquecidos, sem rimas, nem métricas

São afastados da dialética,
não fazem parte das histórias,
sussurram sílabas lentas,
melancólicas e adormecidas

Apenas são lidos
como quem lê o orvalho
ou coisas que nunca foram escritas


Conceição Bentes
11/06/09





O meu comum



O meu comum
não é comum,
é errado quando regulado pelo instinto

No espírito,
tenho desejo chave
Da magia,
a fase de um perfeito encanto

Escondo segredos em nomes incertos
adentrando mistérios
multiplicando imagens
num tranqüilo acontecer

Neste lamento,
contento-me em conter
meu descontentamento
e a minha luta me eterniza
lavrando a alma livre e concisa

Conceição Bentes
10/06/09

Cabocla



És guardiã da mata,
lançando-te contra a ganância
da exploração arbitrária

Tua lança não mata o agente
mas, extermina a ação
pelo bem da salvação

Misturas ervas e fé
curando o mal da destruição
e conhecendo as leis,
dominas a essência da vida

Lutas sem derrame de sangue,
limpas o frio que consome,
retiras a sombra que mata
o verde da mata e de um coração


Conceição Bentes
09/06/09

Alegrias antigas



Tenho saudade do tempo
em que as verdades eram ditas
que podia ser franca
sem prantos provocar

Sinto falta dos momentos sinceros
quando servi de suporte
aos soluços abruptos

Queria ter a ilusão
transfigurada em realidade,
a perfeição incompleta
transformando traços soltos
em figuras perfeitas.

Conceição Bentes
07/06/09



Tempo de nós dois



Existe no tempo
um lugar indefinido
entre mim e o infinito
que liberta sonhos ocultos
de saudades sem cores

Promessas feitas de esperas
desfolham a solidão
dos dias que amadurecem
enraizando a emoção
que sobrepõe a mente e o coração

Conceição Bentes
06/06/09

Meus ocasos




Meus olhos gravitam como sóis
iluminando universos
pautados por planetas em sustenido
e estrelas em bemóis

Ainda que inexistissem luzes,
fosse noite absoluta
e o tempo sofresse lapsos
momentâneos,

auroras noturnas me chegariam
nos ritmos deslizantes
da música do vento,
trazendo poemas diuturnos
ressuscitados nos meus ocasos.


Conceição Bentes
02/06/09

Rascunho de sonhos



Meus sonhos são rascunhos
de poemas órfãos de mim,
imponderáveis lembranças,
adormecidas do que fui

Guardo as imagens
de outros tempos
de vida falha e finda,
no vulto da solidão

Calo-me para o mundo,
vendo a queda desses sonhos
em minha eterna vigília.


Conceição Bentes
31/05/09

Indagações



Procuro a vida sem preconceitos
gentes iguais, diferenças nenhuma

Quero no lago da vida
matar a sede do meu grito caduco
que ecoa pelo universo
em busca dos sonhos antigos

Indago pelos segredos,
falo do meu amor
brindo aos sentimentos
do lado escuro de mim


Conceição Bentes
29/05/09

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Desamparo



Como se não bastasse
a terra sem memória,
as chuvas aqui vêem beber
nossa incredulidade

Ninguém olha o que se dessedenta
entre oceanos tracionados
nos azuis dos trópicos
deixando o tempo no desamparo

Os céus desabam no alvor
do amanhecer atordoado,
arrastando-se pelo cenário
calcinado e rude
onde o mar se ajoelha e rebate
mas nunca se apura.


Conceição Bentes
27/05/09

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Egocêntrica



Sinto a vida correr
como um artista
que entra no palco
ao encontro das multidões

Combato o que sonho,
perco-me e me acho
não tendo o quê
nem o porquê

Sou o fim do início,
o ateu com fé
não tenho rimas , nem versos
sacio a vontade de viver
e chego como criança aos teus olhos
que me indagam sem nada ver

Conceição Bentes

Passagem



Vejo a luz que nos deixa
o sopro imperceptível,
do silêncio profundo
que ouvimos de dentro,
o extermínio onde a memória cessa
o circuito cansado pelo sentir

Segue a solidão,
que desce dos sudários,
imperiosa e fria
como um mar que toca os vitrais
com sua aragem macilenta
junto ao silêncio que a terra refugia


Conceição Bentes
26/05/09

domingo, 24 de maio de 2009

Trama

Trama


Ser refém do calendário
achando que o tempo conta
o passar diário,
que o próprio tempo desmonta,
é achar que este aponta
um momento unitário
onde o futuro é o horário
que ao passado se remonta.

O uno contém o vário,
o meio contém a ponta.


Conceição Bentes
24/05/09


Buscas


Ao escrever, é a mim que busco
fazendo da poesia o itinerário.

Em vão se breve ou longevo,
se perdulário ou conciso,
nem mesmo ao poema é páreo
a quarta folha do trevo,
pois se me atrevo ver a sorte
e o cenário do futuro,
somente a ela eu devo,
saber quem sou ao contrario


Conceição Bentes
24/05/09
Explicações

Palavras perdem-se pelo chão
como os que buscam no alforje
alimento para alma

Tocas-me tão de leve como nuvens
que nem percebo essa ausência
de tão alto que me espreitas

E navego nesse mar que me soterra
por incontáveis noites
por numerosos dias,
nas léguas dos ventos,
das coisas mortas ou vencidas,
nascidas no limbo que pouco explicam.

Conceição Bentes
22/05/09

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Reencontros

Sou depois de tempos
o reflexo do teu corpo
distanciado de mim geometricamente

Revejo-me radiada
no lago dos olhos teus
que me descobrem
nas tardes sonolentas
trocadas por noites quietas e ligeiras

Ando por entre mil auroras
para encontrar-te e reassistir
a gênesis da vida
permanecendo em ti
de olhos cerrados
soletrando o silêncio
das horas que passam


Conceição Bentes
19/05/09

Construção

Em cada palavra escrita, coloco vida
não costumo conhecer o instante futuro
ou o que já passou

O momento, é onde vou
a reboque dos meus pensamentos,
sou a soma de muitos ninguéns,
a idéia finita, pouca e parca

Isso tudo e o contrário se convém
ser alguém que em mim
não deixa marca

Conceição Bentes
17/05/09