"Mais luz do que o sol do meu céu só o som do seu sim" (Tchello d'Barros)

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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Chamado



Escuta-me, luz que me chama!
Onde navego o meu amor
poucos viram ou sentiram
o teu chamado,
que me beija com o olhar
e toca minha alma
selando a voz inesgotável

Vamos ao âmago...
ao ser que somos
e desconhecemos
construindo mundos em paralelos

O conteúdo da minha alma
eu conheço mas não o uso,
o impossível agrada-me
com olhos sedutores,
quebrando traves sufocantes
e soltando as amarras
que me repartem


Conceição Bentes
13/07/09

Sonho inacabado



Minhas mãos sonham contigo
os meandros mais secretos
entrelaçados, adormecidos
por vezes único
em reflexos indefinidos

Tem pedaços de mim
que te adivinham
em todos os tempos,nos percursos
onde nunca nos encontraremos

O sorriso molhado dos meus olhos
perguntam à minha mudez
o que brota da alma,
na emoção incontida
sem gestos, sem palavras
nem respostas


Conceição Bentes
13/07/09

sábado, 11 de julho de 2009

Aromas



Preparo aromas
pra tua chegada;
a terra molhada de saudades,
os amores castos
na memória edificada

A casa vazia,
exala o físico concreto
do perfume táctil da tua falta

E chegas velejando ao vento,
escondendo teus acordes
sob meus cabelos
como sussurros de luz
em passos calados e ausentes


Conceição Bentes
11/07/09

Faces ocultas



Na face oculta da minha alma
perambulo em espaços vazios

Na face opaca da minha lua,
procuro perguntas
para minhas certezas
e respostas às dúvidas

Minhas incertezas choram,
as insatisfações abençôo,
levanto as mãos
e agarro meu silêncio


Conceição Bentes
11/07/09

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Vida


Vacilo, mas me atiro
nesta incerteza que é a vida
templo dos fracassos
reduto de vitorias

O peso que me sustém
num balé de notas desafinadas
ampara meus passos tortos
reduzidos a migalhas

E deslizo sobre a alma
incansável de mim
suave como a liberdade da perda
singular no meu longínquo ser,
solitário, sem mim.


Conceição Bentes
07/07/09

sexta-feira, 3 de julho de 2009

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Estrela e a Poesia



És um mágico poema

nascido de uma canção

entrelaçada e adormecida,

que tece sua ausência

nas rimas que se quebram

vazias de ti...



Teu brilho em horizontes distantes,

deixa ver primaveras sem lágrimas

onde a mecânica celeste,

debruça sobre ti

seu mágico manto rendilhado de luzes...



Serás parte do mistério

desconhecido e inesperado;

caminhando sem tardar

nas noites do Universo

em sua longa trajetória.



Conceição Bentes

02/07/09

Saudade, a musa!



Saudade,
é sopro da vida
codificado, indecifrável,
sucessão de dores
em ordens imprecisas

É o fio tecido no tempo
quando as portas se fecham
e as fotos da memória
se revelam inexoráveis,
havendo muito mais o sentir
do que o dizer
que condena ao exílio
sem o direito à voltar


Conceição Bentes
01/0709

terça-feira, 30 de junho de 2009

Decifre-me



Sinto-me deusa
diante da vida,
solucionando enigmas
que me afligem
Respostas turbulentas
invadem minha mente
de maneira eloqüente
lembrando que sou
o segredo de uma existência
Meu crescimento é necessário
pois a queda é inevitável,
a descida é obtusa
desorientando minh’alma confusa
Da energia sou a cor plena,
o anseio da paz que acalma
o afago do carinho encontrado
o não saber do percurso caminhado.
Conceição Bentes
30/06/09

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Reflexões


Descaso,
passageira chama
de intensidade regulável
ao rabiscar versos livres
num decifrável dialeto

Desconcertante,
é perceber o barulho do silêncio,
na aflição constatada
do desconexo da tua alma

Adeus,
dualidade intrínseca
que machuca ouvidos
e alivia corações,
desatando laços já partidos
soando indiferente
na mais bela canção

Conceição Bentes
28/06/09

domingo, 28 de junho de 2009

Simbólica



Minhas palavras
são simbolismos
perdidos em pensamentos afoitos

Meus sonhos não são inteiros
se não tenho em mim
a tua imagem insegura

Adivinho a linguagem insana
deixando escrever a seiva que luta.
falseada por não ficar inteira
iludida, por não significar um tudo.


Conceição Bentes
27/06/09

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Doação



A quem doar as manhãs
de corolas rubras,
o sal de muitas chuvas,
os encantos do céu final?

Qual praia ancoro a nau
se sempre retorno a ti
num sonho rodeado de círios
entre amor, paz e lírios?

São esses os momentos
deixados aqui,
quando decidiste partir
para espaços desiguais.


Conceição Bentes
26/06/09

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Concisa


Olhos que passam sem ver
vidas que morrem pra renascer
vivem sortilégios da verdade
que valseiam nos ares
iluminando "luares"

Pelas esquinas do mundo
em cada piso, em cada chão
levam rostos perdidos
marcados na contradição

Do romantismo saudoso
passo a pensar e viver,
um estado libertário
dispersivo e pesaroso,
esse é meu novo proceder

Conceição Bentes
24/06/09



terça-feira, 23 de junho de 2009

Sonhos aparentes



Sou a canção que foge lenta
num cheiro mais de lassidão
que a brisa das tormentas

Olhando o mundo,
sou apenas um espectro
que refugia todo o meu eu
do qual fujo só

Entrego-me aos braços do vento
divina imensidão das cores,
as certezas que abalam,
antes do principio
ou depois do fim



Conceição Bentes
23/06/09

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Juramento



Prometo que serei
o tempo a estilhaçar-se
nas tuas mãos,
tendo teu silêncio
a minha volta

Hei de ser
os olhos fechados
ou a curva indecisa na noite

Serei a própria noite a te embalar
até que a manhã te leve
e adormeças longe de mim



Conceição Bentes
22/06/09

domingo, 21 de junho de 2009

Mãos vazias



Com mãos vazias
atravesso a vida
sobre a corda das palavras

Liberto dores
atrás de fontes de luzes
despertando para algo
além da alma

Agito a calma do tempo
que brinca com o tormento
transformando-o em alegria
no ritmo da emoção


Conceição Bentes
21/06/09

sábado, 20 de junho de 2009

Sou única



Sou única comigo,
compondo poucas falas,
sinônimo de liberdade

Deixo a voz fugir
para ser usada num poema
soprado aos ventos disseminados

Minhas certezas abalam-se
no descanso cavado
pelo meu próprio exílio
e mesmo ciente aos olhos,
o sigo!


Conceição Bentes
20/06/09

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Codificas o amor



Tua palavra é código
que sai e queima meus ouvidos,
teus gestos me convergem
a templos antigos
onde cultuo deuses invisíveis

Teu amor tem sua hora
como a claridade do dia
na face lírica das águas
na madrugada da fantasia

Codificas o tempo maior,
translúcido na penumbra da noite,
em cada palavra de riso
em cada signo de verbo
em cada lágrima de delírio


Conceição Bentes
16/06/09

Ensaio



Aqui nada me aflige,
sou indiferente a culpa
que move o tédio

Inclino-me sobre impasses
como quem retira a voz do vento
e qualquer fragmento do tempo,
furta-me o equilíbrio

Na sombra muda onde o futuro hesita,
ancoro a ternura latente nos teus lábios
que aflora feito uma oração


Conceição Bentes
14/06/09

Travessia



Vidros que separam,
são os mesmos que trazem à contraluz,
o perfil delineado e marcado
do difuso tom da tua imagem

Na inefável neblina,
um vôo vapor esculpe
tua voz na escala modal
entoando tua chegada

Teu olhar impreciso
direciona-me às reentrâncias
do teu silêncio
deixando um sopro leve,
imperceptível no afã da vida


Conceição Bentes
13/06/09

Jornada da alma

Começo minha busca pelo coração
domesticando a natureza brusca,
lapidando o instinto
racionalizando o erro cometido
Averiguo passos em falso
abstendo-me do deslaço,
devolvendo amor para o descaso.
É a evolução do ser que se dá,
na renovação que se confirma,
nessa busca infinda do caminho da paz.

Conceição Bentes
12/06/09

Inúteis versos



Não são teus os versos meus.
Eles perderam-se no tempo
depreciados nas páginas corroídas,
esquecidos, sem rimas, nem métricas

São afastados da dialética,
não fazem parte das histórias,
sussurram sílabas lentas,
melancólicas e adormecidas

Apenas são lidos
como quem lê o orvalho
ou coisas que nunca foram escritas


Conceição Bentes
11/06/09





O meu comum



O meu comum
não é comum,
é errado quando regulado pelo instinto

No espírito,
tenho desejo chave
Da magia,
a fase de um perfeito encanto

Escondo segredos em nomes incertos
adentrando mistérios
multiplicando imagens
num tranqüilo acontecer

Neste lamento,
contento-me em conter
meu descontentamento
e a minha luta me eterniza
lavrando a alma livre e concisa

Conceição Bentes
10/06/09

Cabocla



És guardiã da mata,
lançando-te contra a ganância
da exploração arbitrária

Tua lança não mata o agente
mas, extermina a ação
pelo bem da salvação

Misturas ervas e fé
curando o mal da destruição
e conhecendo as leis,
dominas a essência da vida

Lutas sem derrame de sangue,
limpas o frio que consome,
retiras a sombra que mata
o verde da mata e de um coração


Conceição Bentes
09/06/09

Alegrias antigas



Tenho saudade do tempo
em que as verdades eram ditas
que podia ser franca
sem prantos provocar

Sinto falta dos momentos sinceros
quando servi de suporte
aos soluços abruptos

Queria ter a ilusão
transfigurada em realidade,
a perfeição incompleta
transformando traços soltos
em figuras perfeitas.

Conceição Bentes
07/06/09