"Mais luz do que o sol do meu céu só o som do seu sim" (Tchello d'Barros)

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terça-feira, 10 de março de 2009

Palavras ao vento

Trago no afago do vento,
perfumes das auroras,
renuncias do que sinto
quando as lembranças foram embora

Meu horizonte é muro sem vigias
composto de malhas
que fenecem em suas falhas,
ante o céu que se aprofunda
no passado que se arrasta noite a fora.

Conceição Bentes
10/03/09

Migrante


O Conteúdo é você

Sem perceber, me senti desnuda
de todo meu conteúdo
porém sem dizer,
que o tudo era você

E em tanto querer
por assim dizer,
amá-lo sobretudo
minha alma ficou muda
e em mim, grita você.

Conceição Bentes
10/03/09


Mulher Liberta

Venho do mundo,
sou negra, branca, fui escrava
misturei meiguices, criei raças

Defendo a terra com amor
sou índia guerreira
o ser mutilado em seus direitos
ditos humanos

Podaram meus valores,
sonhos e esperanças
afogando minhas crenças
calando minha voz

Sou água, sou terra,
sou semente da vida liberta
a beleza que não entendem
que desconcerta e contagia
SOU MULHER!

Conceição Bentes
08/03/09

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Fantasias Humanas

Expando a alma
abrindo-a em plenitudes
permitindo que voe
na brisa da saudade

Prendo-me aos meus limites
imaginando mundos,
condicionando concepções,
construindo fantasias humanas

Sonho,
Incapaz de ser meu próprio ser,
refino experiências que se perderam
se foram
ou simplesmente
fugiram da dimensão do viver.

Conceição Bentes
Temporária Viagem

Adormecerei teus dias
para que teus sonhos
não te amedrontem
nas puras madrugadas

Serei tua companhia
despertando-te as noites
antes que o sono te abata
nos ocasos outonais

Nada temas,
vou estar no futuro
assistindo a sombra
do passado fragmentar-se
e seremos o em mim
o em ti
não mais tu ou mim.

Conceição Bentes
Livro da Vida

Faço minha história
construindo meu livre arbítrio.
Despedaço saudades,
perfumo dias com a essência da alma,
escolho ser a ira ou a calma
a desforra ou o perdão

Crio palavras que me faltaram
com o sabor do sempre
ergo muros de arrimo
que suportam golpes e emboscadas
à minha esperança
e garimpo a fé que preciso
para acreditar no que não vejo,
não toco, nem sinto.


Conceição Bentes



segunda-feira, 26 de janeiro de 2009


RIBALTA

Apagam-se as luzes do palco da vida
E o vazio assentou-se na platéia
Onde eu protagonista
Espreito recordando
Os momentos de gloria na memória do tempo
Invertem-se os papéis
Onde o amor torna-se ficção,
Lembranças são conservadas
Em meu sorriso patético
Processando imagens
De uma bela utopia
Que não constava
No argumento final.

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 13/01/09
Código do Texto: T1382158

Destino

Cumpri as órbitas dos planetas
Bebi teu silêncio nas noites claras
Fiz do entardecer
Meu sono enamorado
Amei outro olhar mais que a mim mesma
Transformei pontes de silêncio
Em tempestades de palavras
Nos meus jardins de pedra
Plantei sol de prata
Amei e doei o corpo em juramento
Fiz da minha alma
Uma oferenda final!

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 13/01/09
Código do Texto: T1382190

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009


Saudade Viva!


Vou encontrar-te
Nos lugares onde caminhaste
No silêncio dos teus passos
Na saudade que não escrevo.

Estrela errante sou
Buscando no céu tua luz
Mas nada me respondes
E granjeio horizontes
Num viver,
Num passar sem onde.

Conceição Bentes

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009




Insônia

Noites como tantas não adormecidas
Vendo auroras chegarem
A vida recomeçar
No amanhecer lento não desejado.

Regresso até onde te deixei
Debruçada no meu sentir
Esperando a clareza das respostas
Escondidas nas minhas emoções

As certezas se acanham dentro de mim
Tal como lume de cera lenta e branda
Sem derramar calor
Minhas noites interligam-se
Nos dias que não findam
Estancando o tempo enlouquecido
Nos segundos duradouros
Presos à imutável eternidade.

Conceição Bentes
09/01/09



Uma Valquíria!

Tal como uma Valquíria
Reinaste na sabedoria,
Nunca permitindo
Que um repouso enganador
Fosse o escolhido
Diante dos tropeços da tua jornada.
Caminhaste confiante diante da dor
Mantendo ânimo enobrecedor
E quando lágrimas ameaçaram teus olhos
Abrigaste-te nas asas da prece
Mudando o panorama do teu mundo
Fazendo da tua realização interior
Uma proposta otimista
De valorização da vida!

Conceição Bentes

(Ofereço esse poema
a minha eterna Anja
Valquiria Cordeiro)

03/01/09



Teus Vestígios!

Teus vestígios perduram
Nos meus braços
O suave abrigo
Que alimenta teu regaço
E na ânsia de te ter
Escalo um céu que é só meu
Por degraus de luzes
Que me levam
Pelo som de flautas encantadas
E catalogo meu amor
Nas emoções desvairadas
Nas dores embriagadas
Na solidão compartilhada!

Conceição Bentes



Páginas dos Destino!

Nas paginas da vida
Conto segredos de um mundo distante
E em cada tela,
Pinto imagens do passado
Num lugar encantado.
Tal uma infinita historia,
Desenho como tatuagem
Em papel amarelecido pelo tempo,
Frases que brotam como água das rochas
Na simplicidade de um sonho
Enganando a realidade
Num truque de magia.
E em cada parágrafo
Guardo a essência da esperança
Que não se esgota
Na mente de quem sabe sonhar!

Conceição Bentes

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008



Caminhos de Luz!

Talvez em outras histórias
Eu tenha sido uma canção consumida
Na voz que me foi oferecida
Ou na emoção que foi sentida.
No caminho nebuloso
Fui o sol da tua alma
Que festejou tua chegada
Numa iluminada melodia.
Se fui caminho de luz
Ocultei a essência da minha dor,
Do meu silêncio declarei paixão
No pensamento, a criação
No canto,
Uma oração!

Conceição Bentes

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008




Confidências!

Sou o ser que em todo universo
Reverencia o amor
Que voa e sabe chegar
Que transmuta a dor em alegria
Sou o tudo unido ao nada
Que usa o coração buscando
A última verdade
Sou o mesmo chão que piso
A mesma dor que sinto
De mil e uma tristezas
Dentro de tantas alegrias!


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 05/12/2008
Código do Texto: T1319794



Cores da Alma!

Pinto a alma com meus tons
Inseguros e diluídos
Negando o meu “eu”.
Pego na mão do destino
E ganho o mundo das cores
Colorindo a mente poluída
Dos que me cercam
Mas me perdi no caminho multicores
Em busca da liberdade
Que tinge a força do meu ser!

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 05/12/2008
Código do Texto: T1319795

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008




Estrela Viajante!

Sou uma estrela viajante
Que se veste de poesia
E na busca da perfeição
Configuro a emoção.
Sento sobre a vida
Na liberdade do infinito
Onde a luz que irradio
Envolve meus sonhos
Acabados de nascer.
Tal astro peregrino,
Galopo sobre cometas
Percorrendo vidas esquecidas
Que o silêncio consumiu.
E na imensidão de outros céus
Evidenciando razões determinantes
Reluzo pela luz natural
Nas esferas cósmicas do meu ser!

Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 04/12/2008
Código do Texto: T1317704



Deusa!

Trazes no teu olhar
Um mundo secreto
Inatingível
Só teu!
Surges bela e enigmática
Tal uma deusa
E em cada passo teu
Tens um modo de chegar
Iluminando por onde passas
Os caminhos do meu destino
No teu brilho
Encontro meu refúgio,
Nos fragmentos da tua luz
Minhas incertezas se dissipam
E na grandeza do teu silêncio
Minha alma se reveste de paz!

Conceição Bentes
(Dedico a poeta Elischa Dewes)
(09/11/08)



Entardecer da vida!

Escondo-me como o sol no final de tarde
E tento adormecer as lembranças que vagueiam
E ocultam a falência do meu caminhar
Aguardo a chegada das estrelas
Como se fosse minha alternativa única
De um lampejo de liberdade
E fica a questão de essência:
Renego a condição de partir!

Conceição Bentes
(06/11/08)



Almas que se completam!


Gosto de ti porque não te mascaras
Não compras o perdão
E no teu silêncio falas a Deus
Andas de mãos dada com a vida
E nos percalços sais vitoriosa
Não te intimidas diante das sombras
Porque és a própria luz
E quando todos se vendem, se corrompem
Tu te divides na tua integridade inabalável
Inundaste-me a vida
com a alegria de uma menina
E de tudo que dissemos
só uma palavra ficou acordada:
nossa saudade!


Conceição Bentes
(06/11/08)
(Dedico a poeta Kênia Bastos)



Lenda!

Paro no tempo cansada
Não tenho origem nem destino
E porque existo?
Sou um anjo que voa sem asas
Diante do céu sem cor
Que procura agarrar-se
Em um fragmento de força que resta
Perdida, abatida
Não quero pertencer a coisa alguma
Sou uma lenda

Conceição Bentes
(10/02/08)



Partida!
Senti a chuva lavar meu rosto
O mundo esvaindo-se pelos meus dedos
Senti tudo ter
Sem nada possuir
Tive o sol das manhãs
A lua
Fui rainha sem reinar
Escrevi tal um poeta sem pena
Fui amante e pedinte
Não me arrependo
Em ter sido quem não fui
O que está escrito fica registrado
Na memória do tempo
Só escuto a voz do vento
Trazendo-me a triste canção
É hora da partida!

Conceição Bentes
(15/01/08)



Luz!

Guardo a luz em velas
Que se dissolvem ao sol
Nas lindas manhãs
E nas mãos aqueço
A luz fria da noite
Onde as cores escurecem
Os sentidos claro da alma
Guardo as palavras sem cores
Entre os sonhos e segredos
Lembrando escrituras e estórias
Que não reviverei
Olho um horizonte distante
Adormeço com anseio
De alcançar coisas
Que nunca conheci

Conceição Bentes
(10/06/08)