sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Diante do Amor
O sol esteve em minhas manhãs
no maior de todos os ocasos,
viajando em futuros incertos
como acrobata do universo
A luz que guardo dentro de mim
ilumina o tempo
que apaga qualquer ferida
ou dores temporãs
Não me fragmento
em lembranças tardias
nem no gosto impossível
das vazantes das marés
Teu amor cala o vento,
orienta meus passos trôpegos
nas roupagens cinza do outono,
que não enxerta nem semeia
Conceição Bentes
28/01/11
domingo, 23 de janeiro de 2011
Descompasso
Fugiste de nossas vidas,
seguiste à risca o enredo
do teu teatro,
e em cada gole preciso,
bebeste a fama do tempo
Para te ver nada faço,
ouço meu coração em descompasso
e sem que haja quem me ouça,
te tenho como confidente
E por tanto te querer
e amar-te sobretudo,
meus olhos estão mudos
mas sem dizer contudo
que meu tudo é você
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 17/01/11
Código do Texto: T2734418
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Ainda no começo
Meus silêncios são duros
nas noites em branco
que me tomam,
antes do amor se renovar
Meu sorriso é a senha que te dou,
dizendo o que disfarço
deixando no espaço nosso olhar,
paralelo e calado
Minha fala quase imperceptível
traz a aversão do teu escárnio,
minha metáfora,
não condiz com teu interesse
Meu maior motivo de amar
é teu principal artefato de brinquedo
mas, teu segredo; detenho ainda, por isso,
essa nossa história está apenas no começo.
Conceição Bentes/Marçal Filho
Natal RN/Itabira MG
16/01/2011
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Um amor distante
Seja a alma de uma gaivota,
a luz do olhar num encontro,
a calma do arrebol
ou a estrada que limita a alma
Sinta o tempo sem orações,
a chuva que te cobre num lamento,
a dança dos ventos de ontem
e as certezas ao dobrar esquinas da vida
Traga nas mãos, suas dúvidas
esclarecidas pelo tempo
que dilata as cores da cegueira
E sobre os despojos de tudo
permanecerei em buscas incessantes
de um amor profundo
cada dia mais distante
Conceição Bentes
12/01/11
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Livre Arbítrio
Ando por caminhos,
onde caravanas errantes
passam sem rumos nem guias
Alimento paixões com sentimentos
das entranhas humanas,
armazenando no coração
a exaustão de um adeus aos sonhos
que embalaram minha alegria
Tomo forma das libélulas
e vôo rasante no teu mar
dominando tempestades,
seguindo teus passos
que buscam legados imaginários
O certo me parece incerto
e dos caminhos que
faltam-me andar,
o mais distante, é onde quero ir
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 10/01/11
Código do Texto: T2719965
sábado, 8 de janeiro de 2011
Fronteiras
Perdi minhas fronteiras
que vão além da saudade,
domando minha sorte
mesclada nas cores
de um frio arco-íris
Não ouvi o canto das manhãs,
nem senti o orvalho da noite
molhado no silêncio
do teu olhar
Mergulho no tempo,
renasço das tormentas,
aqueço-me em teu colo,
adormeço em teu mundo
e acordo para vida
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 08/01/11
Código do Texto: T2716879
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Mensageiro
Escrevo nas linhas das estações
quebradas pela música da saudade,
momentos de um passado mendigo
carregado e instalado
na dúvida do silêncio.
Fustigo o fogo do presente
antes que as cinzas do esquecimento
cubram as luzes do nosso tempo.
Levarei entre cometas errantes
teu sorriso indecifrável
onde espelha o amor
de uma história não consumada
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 02/01/11
Código do Texto: T2705115
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Labirinto
Limito-me a ser
o labirinto do teu chão,
a poesia em forma líquida
bebida ou respirada
em teus momentos a sós
Seja o som de um beijo
ou o vôo de gaivotas
em ocasos rasantes
Traga-me a emoção
da lágrima escorregadia
no silêncio do voltar
como sol desgovernado
Venha na palavra
que ninguém responde,
sussurrando o grito cego
dentro dos olhos de uma canção
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 29/12/10
Código do Texto: T2697918
o labirinto do teu chão,
a poesia em forma líquida
bebida ou respirada
em teus momentos a sós
Seja o som de um beijo
ou o vôo de gaivotas
em ocasos rasantes
Traga-me a emoção
da lágrima escorregadia
no silêncio do voltar
como sol desgovernado
Venha na palavra
que ninguém responde,
sussurrando o grito cego
dentro dos olhos de uma canção
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 29/12/10
Código do Texto: T2697918
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Liberdade
Chego na desordem da rotina
fazendo dos sonhos restantes
mil formas de recomeço
Transmutei saudades
em emoções roubadas
tornando-me a espera incansável
de um futuro distante
Como o sol em final de tarde,
adormeço lembranças
que vagueiam,
ocultando falências
do meu caminhar,
ficando a essência
da minha liberdade
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 25/12/10
Código do Texto: T2691213
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Estrela Branca
Estrela de branco,
caminhas no frio
da noite de esperanças
diante dos deuses que te admiram
Anuncias a Boa Nova
na claridade de um novo dia,
o nascer do Amor
onde qualquer palavra,
petrifica
Cortas o céu
como lâmina de luz
falando ao mundo
que o Menino Deus nasceu
Anjos e Arcanjos,
homens e o Universo
reverenciam a presença
junto à Criança, poesia viva
que nos conforta, redime
e nos dá o sal da vida!
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 21/12/10
Código do Texto: T2684626
Além da saudade
O que me falta
é a magia do amor
condensada na ondulação
do teu silêncio
Já não sou o não
fenecendo nas incertezas,
que é minha lei
Meu instante é tudo
diante do tempo
que nada é
Vou além da saudade
que você habita,
fugindo das verdades nuas
ensurdecidas pelas minhas tempestades
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 21/12/10
Código do Texto: T2684402
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Efêmeros
Repensamos, mudamos,
amamos, sofremos,
fizemos do inacabado
uma história palpável
Sopramos palavras
atiradas a ermo,
em esperas vazias de nós
Descobrimos a alma
numa causa maior
que duma incerteza qualquer,
deu-nos a beleza efêmera
da lucidez que não tínhamos
Partimos nas asas do espaço
pelas mãos de amanhãs
como a música luminosa
que alimenta o silêncio
de um amor tardio
Conceição Bentes & Marçal Filho
Natal RN/Itabira MG
Publicado no Recanto das Letras em 13/12/10
Código do Texto: T2670435
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
O que somos!
Somos pedras d'água,
caminhos alisados em curvas,
retorno de manhãs distantes
Respiramos ares comuns,
trocamos a mesma dor,
vivemos o cruzar de olhares
que se fundem no amor supremo
Sua voz é rio silencioso,
caminhante no espírito do mundo,
minha inspiração contínua,
sem a qual não seríamos
o que somos nós!
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 08/12/10
Código do Texto: T2660822
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Apresento-me a Vida!

Na vida me sento e apresento-me
em tempos pálidos,
com olhos tardios
e sobre o nada adormeço
Minhas memórias ausentes
escorrem em novelos
desalinhando certezas
pelas horas opalinas
num canto de luz abissal
Beijo a música do orvalho
no ventre da chuva
onde o silêncio se insinua
no corte das sombras
Bebo gotas de sementes
dos dias que chegam,
no suor do teu sorriso
abraçando minha paz iluminada
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 06/12/10
Código do Texto: T2655981
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Canção da chegada

Talho meu compasso nos teus passos
colhendo sonhos
esculpidos na eternidade
Coloca-me em teu regaço
ilustrando-me em tua vida
na hora efêmera em que dispo tua alma
Desfolha-me em palavras,
depõe tua música nas ondas
do teu sorriso
e retira a descrença
do meu coração inválido
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 03/12/10
Código do Texto: T2650682
Limites da Alma

Quisera eu ter o esplendor do olhar,
o som delicado dos versos desencontrados
a musicalidade da acústica do amor
Da minha sensibilidade,
transformar em serenas vibrações
filamentos germinados na emoção,
chegando a transparência da água
que se destaca dos meus olhos
Dividir meus limites com os delírios
de cada sonho guardado,
lançando-me as vontades ousadas
das emoções sentidas
Vestir-me de suspeitas,
aceitando os sinais vitais
esquecida e perdida
como náufraga nesse oceano
que insisto em navegar
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 01/12/10
Código do Texto: T2647954
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Sonhos e Ilusões

Escrevo meus sonhos
no espelho da ilusão,
ou em caminhos desencontrados
onde a brisa me encontra
com sabor gelado de esperas
Na contagem do tempo
tudo se destrói
e tudo se reconstrói
como dias outonais
Eis meu canto sem sons,
hasteado no vento,
tocado por tuas mãos de água
que repousam no teu cálido olhar
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 26/11/10
Código do Texto: T2638598
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Trilhas

Leva-me pra longe
no teu sorriso domador,
desenhando outras rimas
de formas enigmáticas
onde tudo principia e nada finda
Teu olhar cadente,
arrasta o silêncio
tatuado no brilho das estrelas,
aos pés da noite
que dança contra o tempo
Coloca-me na surdina do adeus
das tardes escarlates
que amarram o sol
no galopar das tuas horas
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 23/11/10
Código do Texto: T2632671
sábado, 20 de novembro de 2010
Roda da Vida

Minhas inércias
precisam que eu ande
em profissão de fé,
espalhando silêncios,
em prazeres congelados,
Na mão insolúvel do destino,
recordo o viver desmedido sem amor,
desvelado dentro de mim
Sou o milagre da busca,
do dizer, dos sonhos e da dor,
viajando no vento,
caminhando na saudade,
retornando dos ocasos
no meu imprevisível ser
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 20/11/10
Código do Texto: T2627260
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Mudanças

De onde venho,
trago emoções roubadas
dos meus sonhos incertos,
restando-me formas de recomeço
e esperas incansáveis
Nas horas não marcadas,
desordenei o vácuo da rotina,
espantei males escondidos
abriguei abraços antigos
Dos tempos etéreos
restou-me músicas sem festa
e a curva de um sorriso
dançando num céu invertido
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 17/11/10
Código do Texto: T2620394
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Passos Fugidios

Meus passos são luzes de esperanças
caminhando em vias libertas,
determinando o sentido,
da realização do meu ser
Caminhos construí
moldurando na mente,
o abraçar da inconstância
incansável do viver
Estou no som fugidio da voz,
na palma bailando ao ar
sou luz que devora sombras,
a solidão do último trago,
a grandeza da própria vida
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 16/11/10
Código do Texto: T2618796
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Falar de Nós

Sou além dos gestos,
um aplauso, riso ou lágrimas,
renascida na poesia,
do incerto despertar
Em meu navegar,
fiz de ti o porto seguro,
no teu colo, o meu descansar
Revelei-te segredos
em forma de oração,
fui um arco-íris
no fim de tempestade
amanhecida na vastidão
da distância que me anoitece
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 09/11/10
Código do Texto: T2605552
domingo, 7 de novembro de 2010
De estrelas e esperas

O mar ouve quieto
o som do vento frio
incansável, sorvedouro
intenso, disseminante
Saudades incontidas,
vestidas de amanhecer
adormecem em silêncio
despertando em ti o entardecer...
A lucidez da entrega
rebate na languidez do ocaso
e a estrela sem pouso certo
oscila na amplidão do espaço
Etérea se faz a causa
ofuscando um desejo louco
pois entre o encontro e o beijo
o amor conduzirá o complemento
É hora de voltar ao mar
é hora de ouvir o vento.
Ceição Bentes/Marçal Filho
Natal RN/Itabira MG
07/11/2010
Insensatez

Meus sonhos insensatos
profetizam pensamentos
reafirmados pela natureza,
definidos, mas ignorados
Cultivo no tempo,
o principio de minhas leis,
enfraquecidas pelas crises
que o vento reativou
Busco o prazer,
transformado em dois pesos
e duas medidas,
nas palavras apagadas,
hoje reescritas,
ontem isoladas,
amanhã esquecidas.
Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 07/11/10
Código do Texto: T2601546
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