"Mais luz do que o sol do meu céu só o som do seu sim" (Tchello d'Barros)

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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Estação das Flores




És a estação que divide vidas
trocas o frio
pelo perfume do olhar
que embala emoções

Trazes as cores sem podas
e no sulco da terra,
labirintos se formam
do verde que ressurge,
nas flores concebidas
cuja fonte não se esgota

É mais uma festa,
revestindo a natureza
com a incidência das cores
que retalham horizontes

Conceição Bentes
18/09/09

quarta-feira, 16 de setembro de 2009



"Maravilhoso!... Se eu choro um pouco, liga não... Faz parte da constante descoberta de quando me pergunto sempre: de onde vêm os poetas?... E respondo sempre: eles vêm do universo insondável e infinito dos mistérios da alma humana. O coração é a sua caixa de divina ressonância. Eles estão nos poros da alma que sangra como sangram os versos que compõem. Choram em secreto, rejubilam-se das coisas simples e eternas, alimentam-se de amor, andam de carruagem de luz e viajam para todos os lgares ao mesmo tempo... Nunca se cansam de amar desesperadamente... Como nos amamos sob o signo de todos os tempos não medidos... Sua página é um pedacinho desse mistério que faz de nós, poetas, portadores da simplicidade para os que têm fome da simplicidade, mas extraordinário o bastante para abastecer os sonhos dos que têm sede das coisas extraordinárias..."

Afonso Estebanez.

16/09/2009.

Meus sinceros agradecimentos a esse poeta que encanta a todos que o lêem, pelo carinho com que me recebeu em sua vida.
Obrigada mestre querido Afonso Estebanez!

Ceiçao Bentes

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sementes de luz




Nasce, vive, renasce!
almas são doações de amor,
socorrem sem receber,
doam-se até no adeus

Renascem em cada gesto,
na ingratidão nada protestam,
dentro de si, são muito mais

Têm alegrias transparentes
entusiastas pelos caminhos,
de mãos dadas com o que são,
levando no vento tantos exílios,
memórias que não desenharão.


Conceição Bentes
14/09/09

sábado, 12 de setembro de 2009


"Você é isso, uma beleza imensa
Toda recompensa de um amor sem fim
Você é isso, uma nuvem calma, no céu de minh'alma, é ternura em mim,
Você é isso, estrela matutina, luz que descortina um mundo encantador.
Você é isso, É parto de ternura, lágrima que é pura, paz do meu amor" (Luiz Vieira)

A você Danielle, todo meu amor
Sua mãe

Ceição Bentes

Depois da chuva




O mundo se decompõe
e não se recompõe,
torna-se incompleto
perde-se a cada passo

Nas retinas adormecidas
palpitam lembranças apagadas,
tornando-me uma Rocha
gravada na rocha
ao viver o presente
onde planejo o futuro

E o cheiro da terra
dilui minhas cores
que tingem teus olhos
e regem meu ser

Conceição Bentes
12/09/09

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Uma voz ao longe





Alguns amores te faltaram,
e nesses mundos
a tua voz atravessou oculta
esgarçada em silêncio

Teus traços se definem,
delineando formas
ao mostrar o prazer entre almas
que se embrenham em tuas tramas

Os passos perdidos
sufocam sem resistência,
afetos que correm pela vida a fora
modulando esperanças enternecidas,
abraçando infinitos inconscientes


Conceição Bentes
11/09/09

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Renascendo




Deixo fugir minha voz
ouvindo-a calada
no íntimo dos sonhos

Sou única no jardim
que o poeta descreveu
renascendo em cada sol,
germinando leve pra frutificar
a normalidade de estarmos juntos

Só me resta o tempo à distância
lépido em sua liberdade
eternizado nas fronteiras do infinito

Conceição Bentes
08/09/09

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A você Drummond




O que dissemos
ficou ao sabor do vento,
nas confidências trocadas
onde o bom senso foi o limite
e o amor, o ilimitado

Ouves palavras que te caçam,
na memória de olhos facetados
e do outro lado do sonho,
o tempo caminha num espelho
de reflexos infindos

O meu silêncio
são palavras ternas,
ditas a tua imagem
limitando ser apenas um "eu",
revestidos com os nossos "nós"

Conceição Bentes
04/09/09

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A Volta




Como é difícil retornos!
De tudo aonde vamos,
voltar é transtorno,
estranha-se no caminhar
o peso de uma saudade

Bifurcamos em dúvidas.
erramos o alvo,
acertamos as palavras
que simplesmente não se escuta

Na ascensão ou no declínio da vida,
o voltar é a fúria de vento errante
fustigando lembranças de quem fica,
é tocar um rosto sem voz,
é prender-se na própria liberdade


Conceição Bentes
03/09/09

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Fitamos o silêncio




Procuramos saídas
para as canções
que se fazem lentas
como a brisa mansa das tormentas

Nosso silêncio feito de vento
pousou no brilho do tempo
sem metas nem lamentos
tentando reter o instante
que jamais viveremos

Basta o brilho do sonho,
a incerteza da espera
temendo que a distância nos anoiteça
fazendo da liberdade,
a prisão de nossas almas.


Conceição Bentes
31/08/09

sábado, 29 de agosto de 2009

Entre o Espaço e o Tempo




Acordo a vida
nas palavras que escrevo
retirando de mim
a essencialidade do nada

Volto ao meu limite
num indisfarçável temor
vendo que nada sou
e o que perdi
é acrescentado em ti

Sou fruto do Universo
enviada em cores
nas gotas de orvalho
exposta ao delírio do destino

Aporto em ilhas de sonhos,
nos lampejos da coragem
indo além de todos meus passos,
encontrando sentido nos desejos
e na realidade,
perco minhas máscaras

Conceição Bentes
29/08/09

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Eis-me aqui!




Eis-me aqui
na luz dos olhares que se cruzam,
entre a neblina que se desfaz
em meio a tantos ou uma, das palavras,
no silêncio tão breve que se refaz

Volto no limiar exato do inacabado,
deflagrando o desamparo da memória
na construção palpável das palavras
habitando constelações
antes nunca navegadas

Não sou mais que isto:
sonhos inventados,
finalidade e drama sem enredo,
herança sem segredo

Conceição Bentes
27/08/09

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Trilhas



Furtaste o estio,
e as chuvas ficaram na memória
reconhecendo a terra
que caminha sob cursos d’ água

Como se não bastasse percorrer
as idades que me atravessam,
o ocaso da vida se acende
desenhando trilhas interiores,
testemunhando o encalhe da eternidade
transgredida pelo tempo
na solidão insólita

Conceição Bentes
24/08/09

Aprendizado



Não aprendi a ir embora
ficando assim pelos campos
e ares das montanhas
onde o tempo foi tatuado
sobre ladrilhos a ferro e fogo

Poderia o amor
nos ritos da inutilidade,
ter varrido a saudade,
de um abraço ignorado
como quem busca no alforje
o exercício da entrega

Os dias que passam
no espelho sem narcisos,
mostram a face de um verão
apaziguado pelo sol
que brilha no silêncio
e perdura na eternidade!

Conceição Bentes
21/08/09

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Poema cor de mar




Quero ter motivos
para sentir saudades
barulhenta do verde
que os teus olhos guardam,
do encanto tecido sem tramas,
alinhavado pelo tempo

O teu silêncio circunstancial
me assegura que,
és a minha última fantasia
como âncoras sem liames

São ritos antigos que desato
histórias vividas e não contadas
urgindo amar a vida e mais nada

Conceição Bentes
18/08/09

sábado, 15 de agosto de 2009

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Porto Seguro




Embarco em teus olhos marejados
onde navega meu destino
de solitária beleza
e prazer inconfundível

Por teres me guardado
entre teus agrados,
escuto a saudade calada
nos toques e afagos dos sentidos

Caminhas displicente, em silêncio
com o olhar flutuando vagamente
acolhendo-me em teu colo,
calando a música que se ouve
nas imagens que encantam
o olhar, o coração e a mente

Conceição Bentes
14/08/09

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Palavras a um poeta




Eu te digo que um poeta
não fica sem meia resposta,
nem a embriaguês da poesia
terá sabor mais delicioso
do que a alma de quem a faz

O tempo que não entendo,
brinca nas areias da vida,
ensina, dá asas,
mas também massacra sem dó

E a paciência de quem a tem
navega em barcos perdidos
sem tempo para despedidas,
e em segundos a vida acontece,
ou a chama da alma se apaga


Conceição Bentes

12/08/09

terça-feira, 11 de agosto de 2009

sábado, 25 de julho de 2009

Regresso




Regresso na espuma da vida
deixando-me cair numa poça de lua
de um cais qualquer

Estradas onde o tempo
é uma canção,
minha alma indefinida se reparte
em pedaços multicores

E sobre o deserto despojo-me de tudo
permanecendo minha busca incessante
profunda e gasta, de um sonho
cada dia mais distante

Conceição Bentes
25/07/09

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ostra e Pérola




A tua ausência canta a dor
no poema que te faço

É a ilusão sem nome,
a mentira inacabada,
o murmúrio involuntário
do claustro que me liberta

Aconchego-me como a pérola
na melodia que me hospeda,
arrebatando-me a qualquer momento
pela força que em mim habita
e que me deixa desabitada


Conceição Bentes
23/07/09

Imponderável ser



Estamos juntos em preto e branco
nossas imagens confundem-se
na clara luz dos diamantes

Múltipla me faço sendo uma só;
réplica de cera,
torno-me estátua verdadeira
um quadro irreal,
onde passeio meus sentidos

Nada mais é preciso à vida
parecer mais breve.
Festejo-a!


Conceição Bentes
22/07/09

Minhas manhãs



Retomo minhas manhãs
sentada à sombra delineada
pela luz que dissimula
minhas fraquezas

As palavras que me chegam
percorrem os sons emitidos
como flechas douradas
atiradas á escuridão

E o universo recompõe-se
em engrenagens ocultas,
palpáveis e sensitivas,
diante do espetáculo concreto
movimentando a vida
sem maiores hesitações

Conceição Bentes
21/07/09

sábado, 18 de julho de 2009

Um sonho que passa




Ouvi tua voz ferida
pelo som da saudade
com cheiro das água dos telhados,
como canção no peito do passado

Aproxima-te,
mas não me toques,
deixe eu sentir o sabor
dos teus olhos de verão

Quero ouvir teu silêncio
na correnteza dos sonhos
que em mim profundo deságuam
como gemidos que passam

Partes na madrugada
orvalhada com a luz do dia,
deixando tua ausência
na absolvição do tempo

Conceição Bentes
18/07/09

O som da solidão



Canto a solidão
no jardim que floresce o silêncio
transitando na luz
deste cerco infinito

Sou pássaro de pedra,
navegante além de toda rota,
o isolamento do cais
de profundas e eternas águas

Anseio pela liberdade mutilada
nas larvas do futuro desconhecido
onde tristeza e solidão se apagam
nascendo a aurora da vida

Afasto as miragens
que de mim se cercam,
são sombras de minha sombra
mas adormecem e se perdem


Conceição Bentes
18/07/09