"Mais luz do que o sol do meu céu só o som do seu sim" (Tchello d'Barros)

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sábado, 3 de outubro de 2009

De Anjo e de Luz




Das estrelas que mirava
Num lindo céu acetinado,
Tu estavas reluzente
Como anjo onipresente
E eu poeta admirado

Retornei da noite distante
Ajustando o relógio do tempo
Equilibrando a alma no eixo
Diante do espetáculo celeste
Palpável, visível e sensitivo

No recôndito de mim mesmo
Aprisionei um anjo cintilante
Agora toda noite; tenho você
Para dividir anseios e sonhos.


Marçal Filho/Conceição Bentes
Itabira MG e Natal RN
03/10/2009

Além dos Sonhos




Vôo além dos sonhos,
no fictício azul
que a luz do horizonte deixa ver,
o ondulado da poeira morta
ante o suspiro de um lamento

Meus sonhos sem costuras,
elidem as palavras das arestas,
onde o silêncio especula
o palpável desalento

Estás além de tudo,
permaneces imponderável
nas hipotéticas estrelas,
ponto eqüidistante de partida e chegada,
passagem silenciosa do eterno sempre

Conceição Bentes
03/10/09

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Recriação




Repilam - me,
os que não permitem meu brilho;
sobreponham-se,
os favoráveis à minha dor esfacelada,
no vento plúmbeo do poente tardio

Fragmentos do tempo
furtam o equilíbrio
das teorias construídas
na consciência do voltar

Ate que morram as utopias,
palavras vão além de gestos
restando-me, o ar vazio,
saudades, poesia e frio.

Conceição Bentes
02/10/09

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Preciso de mim




Preciso da paz de um céu sem nuvens,
do chegar das ondas aos pés de quem caminha
na busca de um sonho perdido, sem metas

Sentir a vida descansar
ao som da natureza,
onde eu possa ouvir o eco
da saudade no arco-íris

Voar como águia até o mais alto do sentir,
recarregar a alma gasta do incessante clamor,
trocando as vestes das dores, pela leveza das cores

Quero o silêncio do nada, aprisionando meus caos,
formando barreiras na solidão estática,
transgredindo no tempo o que não me satisfaz


Conceição Bentes
30/09/09

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O limite do sentir





Parto de conceitos e abstrações
refinando experiências,
arquitetando imagens
como a vida cedeu

Encontro-me no limite do sentir
amando o real
da minha indistinta e reversa ilusão

Dancei em teus lábios,
voei aos teus olhos,
morri em mim
sem ver-me em ti

Conceição Bentes
22/09/09

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Confidências




Sou o chão que piso,
os olhos da dor que abraça o mundo,
revestindo minhas interrogações
no encontro do meu ser, em cada ser

Firo as chagas do meu íntimo
com a chama que me tornei,
tentando encontrar
o imaginário pedestal da mente humana,
para ser o racional do irracional

Tornei-me apenas um todo do todo,
bebendo o último trago da minha solidão
representando o meu não-ser
no que atualmente sou.


Conceição Bentes
21/09/09

sábado, 19 de setembro de 2009

Que venham as flores




Flores da vida
onde a luz se deita
mesmo quando a noite cai
e o verde sabor da terra
tem o gosto da espera,
alimentando o milagre da germinação

Em cada esperança fincada
nasce pelos canteiros,
primaveras em tom maior
perpetuando o prazer
e a sobrevivência de sermos tudo
e ao mesmo tempo, nada

Que venham as flores,
cantando a alegria nos campos,
sobre as asas de zéfiros,
reluzentes cascatas
correndo como mel
sobre nossa alma,
a inefável beleza


Conceição Bentes
18/09/09

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Bela Primavera




Toca-me com teu perfume
anunciando tua vinda
como nuvens, ou brisa marinha
irrigando as manhãs
ordenada pelos deuses

Toda paisagem se curva diante de ti
num oráculo silencioso
e resplandeces desabrochando a vida,
nas verdes colinas,
nos altos penhascos
entre todos os séculos.
És a Primavera!

Conceição Bentes
18/09/09

Estação das Flores




És a estação que divide vidas
trocas o frio
pelo perfume do olhar
que embala emoções

Trazes as cores sem podas
e no sulco da terra,
labirintos se formam
do verde que ressurge,
nas flores concebidas
cuja fonte não se esgota

É mais uma festa,
revestindo a natureza
com a incidência das cores
que retalham horizontes

Conceição Bentes
18/09/09

quarta-feira, 16 de setembro de 2009



"Maravilhoso!... Se eu choro um pouco, liga não... Faz parte da constante descoberta de quando me pergunto sempre: de onde vêm os poetas?... E respondo sempre: eles vêm do universo insondável e infinito dos mistérios da alma humana. O coração é a sua caixa de divina ressonância. Eles estão nos poros da alma que sangra como sangram os versos que compõem. Choram em secreto, rejubilam-se das coisas simples e eternas, alimentam-se de amor, andam de carruagem de luz e viajam para todos os lgares ao mesmo tempo... Nunca se cansam de amar desesperadamente... Como nos amamos sob o signo de todos os tempos não medidos... Sua página é um pedacinho desse mistério que faz de nós, poetas, portadores da simplicidade para os que têm fome da simplicidade, mas extraordinário o bastante para abastecer os sonhos dos que têm sede das coisas extraordinárias..."

Afonso Estebanez.

16/09/2009.

Meus sinceros agradecimentos a esse poeta que encanta a todos que o lêem, pelo carinho com que me recebeu em sua vida.
Obrigada mestre querido Afonso Estebanez!

Ceiçao Bentes

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sementes de luz




Nasce, vive, renasce!
almas são doações de amor,
socorrem sem receber,
doam-se até no adeus

Renascem em cada gesto,
na ingratidão nada protestam,
dentro de si, são muito mais

Têm alegrias transparentes
entusiastas pelos caminhos,
de mãos dadas com o que são,
levando no vento tantos exílios,
memórias que não desenharão.


Conceição Bentes
14/09/09

sábado, 12 de setembro de 2009


"Você é isso, uma beleza imensa
Toda recompensa de um amor sem fim
Você é isso, uma nuvem calma, no céu de minh'alma, é ternura em mim,
Você é isso, estrela matutina, luz que descortina um mundo encantador.
Você é isso, É parto de ternura, lágrima que é pura, paz do meu amor" (Luiz Vieira)

A você Danielle, todo meu amor
Sua mãe

Ceição Bentes

Depois da chuva




O mundo se decompõe
e não se recompõe,
torna-se incompleto
perde-se a cada passo

Nas retinas adormecidas
palpitam lembranças apagadas,
tornando-me uma Rocha
gravada na rocha
ao viver o presente
onde planejo o futuro

E o cheiro da terra
dilui minhas cores
que tingem teus olhos
e regem meu ser

Conceição Bentes
12/09/09

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Uma voz ao longe





Alguns amores te faltaram,
e nesses mundos
a tua voz atravessou oculta
esgarçada em silêncio

Teus traços se definem,
delineando formas
ao mostrar o prazer entre almas
que se embrenham em tuas tramas

Os passos perdidos
sufocam sem resistência,
afetos que correm pela vida a fora
modulando esperanças enternecidas,
abraçando infinitos inconscientes


Conceição Bentes
11/09/09

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Renascendo




Deixo fugir minha voz
ouvindo-a calada
no íntimo dos sonhos

Sou única no jardim
que o poeta descreveu
renascendo em cada sol,
germinando leve pra frutificar
a normalidade de estarmos juntos

Só me resta o tempo à distância
lépido em sua liberdade
eternizado nas fronteiras do infinito

Conceição Bentes
08/09/09

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A você Drummond




O que dissemos
ficou ao sabor do vento,
nas confidências trocadas
onde o bom senso foi o limite
e o amor, o ilimitado

Ouves palavras que te caçam,
na memória de olhos facetados
e do outro lado do sonho,
o tempo caminha num espelho
de reflexos infindos

O meu silêncio
são palavras ternas,
ditas a tua imagem
limitando ser apenas um "eu",
revestidos com os nossos "nós"

Conceição Bentes
04/09/09

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A Volta




Como é difícil retornos!
De tudo aonde vamos,
voltar é transtorno,
estranha-se no caminhar
o peso de uma saudade

Bifurcamos em dúvidas.
erramos o alvo,
acertamos as palavras
que simplesmente não se escuta

Na ascensão ou no declínio da vida,
o voltar é a fúria de vento errante
fustigando lembranças de quem fica,
é tocar um rosto sem voz,
é prender-se na própria liberdade


Conceição Bentes
03/09/09

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Fitamos o silêncio




Procuramos saídas
para as canções
que se fazem lentas
como a brisa mansa das tormentas

Nosso silêncio feito de vento
pousou no brilho do tempo
sem metas nem lamentos
tentando reter o instante
que jamais viveremos

Basta o brilho do sonho,
a incerteza da espera
temendo que a distância nos anoiteça
fazendo da liberdade,
a prisão de nossas almas.


Conceição Bentes
31/08/09

sábado, 29 de agosto de 2009

Entre o Espaço e o Tempo




Acordo a vida
nas palavras que escrevo
retirando de mim
a essencialidade do nada

Volto ao meu limite
num indisfarçável temor
vendo que nada sou
e o que perdi
é acrescentado em ti

Sou fruto do Universo
enviada em cores
nas gotas de orvalho
exposta ao delírio do destino

Aporto em ilhas de sonhos,
nos lampejos da coragem
indo além de todos meus passos,
encontrando sentido nos desejos
e na realidade,
perco minhas máscaras

Conceição Bentes
29/08/09

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Eis-me aqui!




Eis-me aqui
na luz dos olhares que se cruzam,
entre a neblina que se desfaz
em meio a tantos ou uma, das palavras,
no silêncio tão breve que se refaz

Volto no limiar exato do inacabado,
deflagrando o desamparo da memória
na construção palpável das palavras
habitando constelações
antes nunca navegadas

Não sou mais que isto:
sonhos inventados,
finalidade e drama sem enredo,
herança sem segredo

Conceição Bentes
27/08/09

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Trilhas



Furtaste o estio,
e as chuvas ficaram na memória
reconhecendo a terra
que caminha sob cursos d’ água

Como se não bastasse percorrer
as idades que me atravessam,
o ocaso da vida se acende
desenhando trilhas interiores,
testemunhando o encalhe da eternidade
transgredida pelo tempo
na solidão insólita

Conceição Bentes
24/08/09

Aprendizado



Não aprendi a ir embora
ficando assim pelos campos
e ares das montanhas
onde o tempo foi tatuado
sobre ladrilhos a ferro e fogo

Poderia o amor
nos ritos da inutilidade,
ter varrido a saudade,
de um abraço ignorado
como quem busca no alforje
o exercício da entrega

Os dias que passam
no espelho sem narcisos,
mostram a face de um verão
apaziguado pelo sol
que brilha no silêncio
e perdura na eternidade!

Conceição Bentes
21/08/09

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Poema cor de mar




Quero ter motivos
para sentir saudades
barulhenta do verde
que os teus olhos guardam,
do encanto tecido sem tramas,
alinhavado pelo tempo

O teu silêncio circunstancial
me assegura que,
és a minha última fantasia
como âncoras sem liames

São ritos antigos que desato
histórias vividas e não contadas
urgindo amar a vida e mais nada

Conceição Bentes
18/08/09

sábado, 15 de agosto de 2009

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Porto Seguro




Embarco em teus olhos marejados
onde navega meu destino
de solitária beleza
e prazer inconfundível

Por teres me guardado
entre teus agrados,
escuto a saudade calada
nos toques e afagos dos sentidos

Caminhas displicente, em silêncio
com o olhar flutuando vagamente
acolhendo-me em teu colo,
calando a música que se ouve
nas imagens que encantam
o olhar, o coração e a mente

Conceição Bentes
14/08/09